Marca lança roupa inspirada nas mulheres surfistas do Irã

05/06/2020

O wetsuit é o resultado de um projeto de seis anos entre Finisterre e designers de produto das Universidades Falmouth e Plymouth, Inglaterra, para criar algo que fosse funcional e seguro para surfar, além de culturalmente sensível. Após percorrer o Irã, primeiro em 2010 e depois em 2013, a surfista irlandesa Easkey Britton começou a filmar um documentário sobre o surf no país. "Essa foi minha primeira discussão sobre como montar roupas de surf apropriadas para o hijab (conjunto de vestimentas preconizado pela doutrina islâmica )", disse ela.  

Até 2013 não havia muita cena de surf no Irã. Embora houvesse comunidades de snowboarders e skatistas, estas eram principalmente em áreas urbanas - longe da costa rural e conservadora do sudeste, onde estão as melhores ondas. O acesso ao financiamento ou ao conhecimento do esporte foi um desafio na área, explicou Britton.

Encontrar algo apropriado para vestir naqueles primeiros dias também foi uma luta. Britton e as mulheres com quem ela estava surfaram em uma mistura de perneiras e bermudas, camisetas folgadas e hijabs projetados para esportes terrestres.

"Era como se tivéssemos entrado em uma loja de caridade e apenas pegado pedaços que achamos que poderiam funcionar", disse Britton.

Mas respeitar os valores conservadores da comunidade valeu a pena. "Eu acho que iniciar [surfar] de uma maneira realmente sensível culturalmente manteve a porta aberta", explicou a surfista.

Os moradores de Chabahar aproveitaram o evento com entusiasmo, abrindo o primeiro clube de surf do Irã, que ainda hoje funciona. O surf deve ser adicionado à lista de esportes nos Jogos Olímpicos pela primeira vez no próximo evento em Tóquio. Embora Britton não preveja ver uma equipe iraniana ("ainda é muito cedo"), no ano passado, a primeira equipe de surf feminina do país competiu nos Jogos Asiáticos. "Isso é enorme, em termos de reconhecimento de mulheres surfando no país", acrescentou.

Imagens cortesia de Finisterre