Ensaio fotográfico ajuda fortalecer a luta dos povos tradicionais do Norte de MG

20/07/2020

Campanha vai reverter o valor da venda de fotografias para comunidades em zona de conflitos atingidas pela devastação ambiental e pelo COVID-19

Por Redação TBN

Diante dos planos de aproveitamento da pandemia para acelerar a devastação ambiental, os povos tradicionais, reconhecidos internacionalmente como os guardiões das águas e da biodiversidade, se colocam como obstáculos para o avanço do capital. Para amenizar os impactos sofridos por essas comunidades, principalmente com o avanço do COVID-19, a Articulação Rosalino Gomes, uma coletivo de povos do Norte de Minas e Alto Vale do Jequitinhonha na luta comum pela tomada de territórios e defesa de seus modos de vida, junto com o CAA (Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas), criaram o projeto  chamado Fotossíntese

Trata-se de uma campanha de venda de fotografias que além da belíssimas imagens, contam a história do local ou do personagem. Metade do valor arrecadado irá para fortalecer as comunidades representadas na imagem. São impressões de alta qualidade, com durabilidade de até 200 anos e selo da fábrica alemã de papel Hahnemühle. As fotografias, realizada por Breno Lima e Sara Gehren estarão disponíveis até o Dia do Cerrado, 11 de Setembro. 

Estão representadas nesta iniciativa três populações tradicionais em cinco comunidades-territórios. Clique e conheça: Quilombolas (Quilombo da Lapinha e Quilombo de Praia), Geraizeiros (Água Boa II e Sobrado) e Vazanteiros (Pau Preto). Para um mergulho mais profundo, clique aqui.

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Nascentes Geraizeiras é resultado de muita luta dos povos geraizeiros. Foto: ASAMINAS

ARTICULAÇÃO ROSALINO GOMES

Constituída em 2010 e homenageando o indígena Xakriabá Rosalino Gomes, assassinado por fazendeiros em 1987, a Articulação Rosalino Gomes reúne toda a diversidade das populações tradicionais do Norte de Minas Gerais e do Alto Vale do Jequitinhonha em um movimento unificado de fortalecimento e organização comum de suas lutas. Participam desta articulação os indígenas Xakriabá e Tuxá, comunidades Quilombolas, Geraizeiras, Vazanteiras, Veredeiras, Catingueiras e Apanhadores de Flores. 

QUEM FOI ROSALINO GOMES?
A história da luta Xakriabá pelo reconhecimento de suas terras remonta mais de um século. Entre tentativas de diálogos com as instituições vigentes e violentas batalhas contra fazendeiros, posseiros e grileiros na região do norte mineiro, foi apenas em 1987, após uma sangrenta chacina, que tiveram sua terra homologada. Dentre as vítimas, estava Rosalino Gomes de Oliveira, liderança indígena que emergiu no escalamento dos conflitos de terra durante a ditadura militar. 

O povo Xakriabá é formado por uma população de 6.442 indivíduos, habitando território demarcado no sertão sanfranciscano, numa região em que ocorre a transição entre o cerrado e a catinga, com espécies nativas dos dois domínios. Foto: Reprodução CCA

CCA

O Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas é uma organização de agricultores e agricultoras familiares do Norte de Minas Gerais. Sua composição é feita, em grande maioria, por representantes de povos e comunidades tradicionais (geraizeiros/as, catingueiros/as, quilombolas, indígenas, veredeiros/as e vazanteiros/as).

O CAA desenvolve ações em torno da sustentabilidade, da agroecologia e dos direitos dos povos e comunidades tradicionais, tendo como foco a valorização da (agro)biodiversidade e a convivência com os ecossistemas regionais, discutindo novos conceitos, apresentando soluções, desenvolvendo estratégias de ações colaborativas, no intuito de promover o crescimento e o fortalecimento dessas comunidades e de suas agriculturas.

Desde 1985, a organização contribui com o fortalecimento das redes sócio-técnicas, onde camponeses/as, técnicos/as e organizações parceiras locais articulam esforços na busca por soluções efetivas para os principais problemas e desafios vivenciados por estes povos e comunidades.

Para desenvolver suas ações, o CAA/NM articula e realiza parcerias com organizações locais dos/as agricultores/as familiares, povos e comunidades tradicionais, STRs, movimentos sociais, acionando colaborações com grupos de pesquisa e extensão de universidades. Há cerca de dois anos vem ampliando sua rede de relações, envolvendo organizações camponesas da Colômbia, México, Guatemala, Costa Rica e Honduras.