Saúde íntima: Empresa doa 3 mil coletores menstruais para penitenciária do ES

29/06/2020

Em parceria com o projeto Sentinelas, Inciclo explica que ação social era um desejo antigo da marca que visa levar mais qualidade a vida das mulheres 

Um mesmo coletor, de acordo com a ANVISA, pode ser reutilizado por até três anos. Foto: Divulgação Inciclo

Texto de Mayara Carlis

A situação de muitos presídios femininos no Brasil é bem precária. Segundo dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, o Brasil ocupa o terceiro lugar mundial com mais mulheres presas. Ainda segundo a pesquisa, outro dado alarmante é o sistema sem infraestrutura adequada e com superlotação de 156%.

Um outro fator que põem em cheque a necessidade de um olhar diferente aos presídios femininos é a saúde íntima dessas mulheres, incluindo a menstruação.

Muitos presídios não oferecem nenhum acesso a produtos de higiene íntima e estas mulheres acabam por usar pedaços de jornal, chumaço de algodão e até miolo de pão para conter a menstruação. Essa prática, além de muito desconfortável, costuma causar infecções e danos à saúde das mulheres.

Sabemos que, em média, uma mulher em toda sua vida fértil utiliza 12 mil absorventes. Um fator agravante quando pensamos na quantidade de absorventes necessários para suprir essa demanda de higiene básica no presídio. Além de haver um custo econômico alto para o Estado, ainda gera questionamentos de como esse item é utilizado.

Pensando nisso, surgiu a parceria da Inciclo com o Projeto Sentinelas - idealizado pela advogada criminal Gizelly Bicalho, a médica Dra. Marcela McGowan e a advogada criminal Izabella Borges. O projeto, além de levar mais dignidade às mulheres carcerárias, visa levar informações sobre violência doméstica contra a mulher, empoderamento feminino, saúde e autoconhecimento para mulheres de todo o Brasil, além de formas de geração de renda extra para fortalecer a mulher, tornando-a mais independente para que consiga sair do ciclo de violência.

A Inciclo juntou-se ao projeto para doar 3 mil coletores menstruais ao sistema carcerário do Espírito Santo. Além de diminuir os custos do governo estadual com absorventes, permitirá que as mulheres presas possam melhorar a relação com a sua menstruação, evitar riscos de infecções e ainda garantir uma qualidade de vida melhor à elas.

O coletor menstrual é um copinho de silicone, que se ajusta à vagina e coleta o sangue ao invés de absorvê-lo, ao contrário dos absorventes descartáveis. O grande diferencial do coletor é que, além de saudável, é super prático e pode ser usado por até 12 horas seguidas e depois é só lavar e colocar outra vez. Um mesmo coletor, de acordo com a ANVISA, pode ser reutilizado por até três anos.

"A doação dos coletores era algo que queríamos há muito tempo fazer, só não tínhamos conseguido fechar uma parceria com instituições que nos ajudassem a viabilizar. Por isso, quando ficamos sabendo do projeto ficamos super empolgadas com a ideia de oferecer uma opção mais saudável e confortável para essas mulheres", conta a Mariana Betioli, obstetriz e fundadora da marca Inciclo.

Como funcionará a ação?

Importante ressaltar que a alternativa não será obrigatória, sendo opção da presa utilizar ou não. Para aquelas que tiverem interesse na alternativa, será oferecido uma consulta individual com uma médica ginecologista, para sanar dúvidas sobre a utilização.

A economia para o governo do Espírito Santo, se for grande a aceitação, poderá chegar até R$ 135 mil em três anos, prazo de durabilidade dos coletores.

Sobre a marca

Desde 2010, a Inciclo trouxe para as mulheres não só produtos para que elas tivessem mais liberdade no dia a dia, mas também muita informação para quebrar o tabu relacionado a tantos assuntos femininos que deveriam ser tratados com mais naturalidade como a menstruação, autoconhecimento e sexualidade.

Quanta coisa evoluiu nestes 10 anos! A Inciclo tem como propósito maior que as mulheres sejam livres para fazer o que quiserem, quando quiserem, independente dos seus fluídos.