A Antártica é o último continente sem COVID-19. Os cientistas querem manter as coisas assim

10/08/2020

Estudar a Antártica é fundamental para combater as mudanças climáticas, mas a maioria dos cientistas não pode viajar para o continente nesta próxima temporada 

Lua cheia ilumina o Ary Rongel, um dos navios de apoio oceanográfico da Marinha do Brasil na Antártida. O Programa Antártico Brasileiro foi estabelecido em 1982 e desde então promove pesquisas em oceanografia, biologia, biologia marinha, glaciologia, geologia, meteorologia, entre outras disciplinas. Foto Edson Vandeira

Redação TBN

A movimentada temporada de verão na Antártica começa em outubro e vai até fevereiro, quando milhares de cientistas de dezenas de países costumam se reunir nas remotas estações de pesquisa do continente. Quarenta bases permanentes pontilham a paisagem desolada, um número que quase dobra quando as instalações exclusivas de verão retomam as operações. 

Este ano, no entanto, chegar a este reino científico gelado traz uma séria preocupação: a Antártica é o único continente sem um único caso relatado de COVID-19. O atendimento médico nas estações de pesquisa é limitado e a vida em um dormitório facilita a propagação de doenças, mesmo nos melhores anos. Durante uma pandemia, a redução do número de cientistas no continente reduzirá o risco de um surto, mas também interromperá pesquisas urgentes. 

Cientistas que trabalham na Antártica escaneiam as estrelas com telescópios, procuram por partículas fundamentais e estudam alguns dos animais mais notáveis ​​do mundo. O continente remoto também é crucial para compreender as mudanças em todo o nosso planeta. 

Os cientistas do clima estudam as bolhas de ar antigas presas no gelo para entender a história da Terra e monitoram o derretimento da camada de gelo e o aquecimento do Oceano Antártico para prever o possível futuro do planeta. Mas a maioria desses cientistas terá que fazer esse trabalho longe do continente nesta temporada, contando com sensores remotos e os grandes volumes de dados e amostras coletados em anos anteriores. 

"É angustiante", diz Nancy Bertler, diretora da Plataforma de Ciência Antártica na Nova Zelândia. "Temos apenas mais alguns anos para fazer algumas mudanças muito significativas para evitar as piores consequências das mudanças climáticas, e não podemos esperar um ano."

Fonte: https://www.nationalgeographic.com/